Terapia Baseada na Compaixão na Esquizofrenia: Um Estudo Qualitativo sobre as Experiências dos Participantes

Autores

DOI:

https://doi.org/10.51338/rppsm.681

Palavras-chave:

Autoconceito, Empatia, Esquizofrenia/terapia, Mindfulness, Psicologia Esquizofrénica, Psicoterapia

Resumo

Introdução: A esquizofrenia está associada a sofrimento psicológico, défices funcionais e redução da qualidade de vida. Terapias baseadas na compaixão, como o programa Compassionate Approach to Schizophrenia and Schizoaffective Disorder (COMPASS), têm sido propostas como intervenções complementares para promover a recuperação psicossocial. Este estudo explorou as experiências de pessoas com esquizofrenia que participaram no programa COMPASS, avaliando a viabilidade, aceitabilidade e o impacto percebido no bem-estar emocional, sintomas clínicos, funcionamento, relações sociais e qualidade de vida.

Métodos: Foi realizado um estudo de intervenção com análise qualitativa. Dezasseis utentes com esquizofrenia foram convidados a participar, dos quais nove completaram o programa. As sessões combinaram psicoeducação, treino de mente compassiva e práticas de mindfulness. Após a intervenção, os participantes foram entrevistados com base num guião semiestruturado, sobre a experiência geral e o impacto percebido da terapia. As entrevistas foram gravadas, transcritas e submetidas a análise temática. A assiduidade e taxa de desistência complementaram a avaliação da viabilidade.

Resultados: A taxa de desistência foi de 43,8%, ocorrendo sobretudo nas primeiras semanas. Entre os nove participantes que concluíram o programa, a assiduidade média foi elevada (91,7%). A análise temática revelou seis eixos principais: (1) bem-estar e regulação emocional, (2) impacto nos sintomas de esquizofrenia, (3) impacto nas relações sociais, (4) mudanças funcionais e qualidade de vida, (5) aspetos valorizados na terapia e (6) experiência global de participação. A maioria dos participantes relatou maior tranquilidade, redução da ansiedade, aumento da compaixão, melhoria nas relações e na qualidade de vida. Dois participantes relataram redução de alucinações auditivas e de ideias paranoides. O formato grupal, a psicoeducação e as práticas experienciais foram destacados como elementos valorizados. As principais dificuldades incluíram ansiedade inicial, dificuldades de concentração e assimetria na participação. Também foram exploradas sugestões dos participantes sobre a intervenção.

Conclusão: Os resultados sugerem que o programa COMPASS é uma intervenção complementar promissora para a recuperação psicossocial na esquizofrenia, com elevada aceitabilidade. O programa parece promover o bem-estar emocional, melhorar competências relacionais e a qualidade de vida e, em menor grau, reduzir a sintomatologia psicótica. Estudos adicionais são necessários para clarificar a eficácia e otimizar a implementação do programa.

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Publicado

2026-09-09

Como Citar

Veloso, P., Gomes, M., Duarte, S., Morgado, P., & Pereira, F. (2026). Terapia Baseada na Compaixão na Esquizofrenia: Um Estudo Qualitativo sobre as Experiências dos Participantes. Revista Portuguesa De Psiquiatria E Saúde Mental, 12(2), 80–90. https://doi.org/10.51338/rppsm.681

Edição

Secção

Artigo Original